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14.9.07

Próximas atrações



Ao New Musical Express, Eminem abriu a matraca e informou que está em estúdio - se pudesse, avisou o garoto-enxaqueca, lançaria o álbum novo "amanhã".

Engraçado. Eu tinha quase certeza de que o fiasco Encore seria saída de cena do moço. Ele não estava exausto do showbusiness? Era tudo golpe de marketing? Hmm. Se esse retorno sair tão insípido quanto o do Jay-Z (Kingdom Come merece ser arquivado na seção "grandes equívocos do hip hop"), será o último prego no caixão de uma era.

Já o Coldplay divulgou ao semanário uma lista com nomes de músicas do trabalho novo, com dedo de Brian Eno. Eles dizem que querem um álbum "conciso", com 9 faixas e, estourando, 42 minutos de duração. Cansaram dos épicos gordurosos? Ah, que bom seria.

Promessas e mais promessas.

A revista Rolling Stone, nada boba, juntou alhos e bugalhos e criou um especial bacana com 28 lançamentos previstos para os próximos meses. De Bruce Springsteen (que estou ouvindo neste exato momento, e parece bom) a Alicia Keys. Para cada álbum, um textinho explicando do que se trata, com entrevistas e escambau. Confira aqui (sério, vale a pena). Dá pra saber, por exemplo, que Dave Grohl acredita ter criado "as melhores músicas da vida" no álbum novo do Foo Fighters.

De ilusão também se vive, né mesmo?

13.9.07

Foo Fighters: nada mais a perder



Até tentei entrar em contato com o mui ocupado Diego, mas os contratempos loucos da vida na metrópole impediram que eu fizesse ao rapaz a pergunta que não quer calar: será que ele, fã número um de Dave Grohl, teria ficado de quatro pelo novo álbum do Foo Fighters?

Desde ontem, o disco já deve ter sido testado por mais gente que o público de Tropa de Elite. Oficialmente, ainda nem passei perto dele. Mas já posso adiantar: a nova dobradinha entre Gil Norton (produtor de The Colour & The Shape, o mais saboroso da banda, meu preferido coisa e tal) e o incansável Grohl talvez tenha rendido o álbum mais ambicioso do Foo Fighters - e também o mais perigosamente próximo daquilo que, há alguns anos, chamavam de soft rock.

Sabe The Eagles? Sabe Chicago? Pois bem. Às vezes, em alguns momentos soltos aqui e ali, o novo Foo Fighters estica os braços para alcançar uma espécie de "profissionalismo clean" - com violões dedilhados, solos de guitarra blueseiros, faixas instrumentais introspectivas e o diabo a quatro - que não tem nada, nada a ver com a espontaneidade quase tosca que Grohl colocou em prática na estréia do grupo (de 1994), ainda à sombra do Nirvana.

Tudo isso representa, de qualquer forma, uma vontade de não ficar parado feito poste, de arriscar. Ainda que a idéia dele de sofisticação pareça ser começar uma canção com um, er, violão dedilhado e depois transformar essa mesma melodia em um solo de guitarra apoteótico. Paciência.

Ouvi muito pouco (ainda que não oficialmente, repito) o Echoes, Silence, Patience & Grace para tirar alguma conclusão digna de nota, mas dá a impressão de que Grohl pegou o álbum duplo In Your Honor, juntou o disco acústico com o disco "pesado" (às vezes numa mesma faixa) e deu no que deu.

Até a terceira música, porém, fica uma grande, incontornável questão: por que, nesta maré de shows internacionais de fim de ano, ninguém cogitou chamar o Foo Fighters para dar um pulo até aqui? Eu, que nem curto muito o disco, cairia no choro durante Erase/replace e Let it die.

Levantar estádios? O álbum novo oferece mais três ou quatro argumentos de que, nesse ramo, Grohl ainda é rei.

Ouça! The pretender, no MySpace.