5.9.07

Celebrity trash-match

Eis a capa da próxima Rolling Stone norte-americana: o tão aguardado, tão anunciado, tão emocionante e tão violento combate entre... quem se importa?



Não pude dar muita trela quando ouvi falar na briga entre Kanye West e 50 Cent para ver quem vende mais discos (ambos lançam novos álbuns terça que vem). Lembrei imediatamente da presepada entre Oasis e Blur, lá em meados dos anos 90, na minha amarga e traumatizante juventude.

Na época, todos queriam saber qual dos dois singles lançados no mesmo dia chegaria em primeiro lugar nas paradas britânicas: Country house ou Roll with it?

Country house venceu. E não ocuparia a minha lista das 100 melhores canções do Blur (será que eles têm 100 canções?). Roll with it não chega a ser superior.

Estamos todos calvos de saber: é tudo marketing torpe. No caso, para aquecer o mercado de hip-hop - que anda mal das pernas. Hoje em dia, qualquer atriz adolescente de Hollywood aparece mais em tablóides que rappers encrenqueiros.

Quem é preso com mais freqüência, diz aí? Paris Hilton ou Jay-Z? Quem usa mais crack? Lindsay Lohan ou Nas?

Para tentar compreender com alguma profundidade esse confronto infame de machos vaidosos (e para provar que sou mestre em futilidades), fiz o test-drive nos dois discos. Como era de se esperar, me decepcionei feio. Com ambos.

O do Kanye West, Graduation, que merece um post só para ele (e vai ter, aguardem), era o que mais prometia. Tem Daft Punk, certo. Mas peca ao transformar Late Registration (um grande disco) em molde fácil para o sucesso. Tem Jon Brion na produção de uma faixa (fraca, aliás), tem Chris Martin em outra. Tudo igual. Melhor: tudo diluído e mastigadinho.

A graça daquele outro álbum, a meu ver, era o tanto de dolência que escorria no pop divertido de West. Brion tratou de encontrar os pontos sensíveis do rapper. Este aqui parece simplesmente uma coleção (em piloto automático) de candidatos a hit. Decente, agradável, às vezes saborosa, mas só isso mesmo. E gravar uma música (chamada Big Brother) todinha sobre a relação com Jay-Z... Acabou o assunto, mano?

O do 50 Cent, Curtis, consegue ser pior. Eu ainda assumo gostar do primeiro disco do fortão, mas estou quase me envergonhando disso. A preguiça domina as letras. A preguiça domina a escolha dos samplers. A preguiça me domina quando tento falar sobre esse disco. Então, melhor deixar quieto. Merece um post só para ele? Talvez não. Vou pensar no caso.

Então combinado: terça que vem, vamos nos juntar para acompanhar o espetáculo da decadência do rap.

11 comentários:

Rodrigo disse...

Perfeito seu pequeno comentário sobre Graduation; foi exatamente o que eu pensei ao ouvi-lo nesta tarde.

Quanto ao 50 Cent... hummm, não obrigado! Nunca ouvi nenhum disco dele (só aquelas músicas horrendas, Deus do céu!), mas minha repulsa pelo cara só fez aumentar quando meu pai presenteou meu irmão com o The Massacre; fui olhar o encarte e até hoje me pergunto como ele tira aquelas fotos sem saber que está se auto-parodiando. Lamentável...

Diego disse...

Gosto muito de Graduation, apesar de concordar com o lance da diluição. Não acho que seja exatamente um problema.

Tiago Superoito disse...

Rodrigo, The Massacre só pode ser auto-paródia. Sei lá, todo mundo esperando alguma coisa bacana do sujeito e ele vem com "Candyshop"? Sinceramente.

Nine disse...

Pausa para o meu comentário fora do foco:

Entre o dilema de amar e odiar blog, um blog só sobre música pode dar mais certo do que "uma espécie de seriado caduco na tentativa de se reerguer em plena décima temporada"... hehehe... Vai por mim!

Gostei desse seu espaço, e do site em que você faz comentários sobre filmes também!

Um beijo!

Tiago Superoito disse...

Obrigado pela torcida, Nine. Vai que funciona, né? Mas realmente parece um seriado. E alguns blogs meus pareciam temporadas dubladas. Horrorosos, hehehe. Beijo pra você também!

Rodrigo disse...

Mas o disco do Kanye não chega a ser ruim não, na minha opinião. É um trabalho menor, mais simples e genérico, mas tem seus bons momentos (a músiquinha com o Daft Punk é ótima, bela escolha de single), apesar de no geral ser um tanto decepcionante (culpa do Late Registration ser um discaço! hehe).

Agora, um off-topic: tô ouvindo aquele cd do Jens Lekman que você recomendou posts atrás tô e achando uma maravilha (e acho que só pode crescer no meu conceito com futuras audições); tenho quase toda certeza que vai entrar no meu Top 10 parcial do ano e talvez tenha até forças para ficar no top do final do ano (talvez, talvez...).

Tiago Superoito disse...

Rodrigo, também acho um CD legalzinho. Mas me decepcionou muito por não avançar em nada se comparado ao anterior. O do Jens é muito bom, também possivelmente entrará na minha listinha.

felipe disse...

E tipo, o 50 Cent chegou a dizer que se o disco do Kanye West vender mais que o dele, ele não grava mais composições próprias.

Não sei o se é pior o marketing que ele tá fazendo ou ele achar que suas composições são dignas de aposta.

Tiago Superoito disse...

Se ele não gravar mais composições próprias, melhor para todos nós. Bota um daqueles ghostwriters de plantão pra escrever pra ele e tudo vai ficar na mesma - ou melhor.

daniel pilon disse...

eu achei muito bom o disco do kanye west, mas na semana passada gostava mais. mau sinal. acho que o encanto dele dura mais na primeira metade, que é bem melhor que a segunda.

o do 50 cent é ridídulo. li meia dúzia de letras e desisti da auto-gabação. não me interessa saber o quanto curtis é fodão. e as músicas não parecem mudar nunca. tem umas 16 e parece ter 5. encheu.

e eu também estou na posição de me envergonhar de dizer que acho legal o primeiro disco dele. já o the massacre é bem ruim. mas esse novo é um desastre, um dos piores discos de todos os tempos.

Tiago Superoito disse...

Pô, piores de todos os tempos?? hahaha. Ainda não ouvi direito, mas tô com uma preguiça...