8.9.07

Wild on Brasília



Há objetos estranhos muito melhores. Há objetos estranhos muito piores. Mas não há objeto estranho como o Brasília Music Festival Moto.

Para começo de papo: que raios é Brasília Music Festival Moto, meu Deus?

Um evento que une, numa mesma cidade (Brasília, onde mais?), motociclistas barbudos, roqueiros saudosos, patricinhas de ocasião, agroboys de penetra, um turbilhão de bandas cover (Led Zeppelin! Pink Floyd! Por que não Scissor Sisters?), exposição de motos, mecânicos cafas e, finalmente, ídolos de reality show transmitido pelo People and Arts. Seria prenúncio do fim dos tempos?

Infelizmente, não. Eu estive lá. O mundo não acabou. E, pior, os motoqueiros selvagens não são mais tão selvagens. Não, já que o Steppenwolf saiu do palco às 23h50 sem que nenhum fã tivesse sido esfaqueado brutalmente. Outros tempos.

Steppenwolf quarentão? Eles são tiozinhos competentes, eles tocam Born to be wild e Magic carpet ride, mas pouca gente queria saber disso. E eles se esforçaram para conseguir alguma torcida. "Este é nosso penúltimo show, nunca mais viremos tocar no Brasil", avisou o vocalista, John Kay. O público, nem tchuns. Muitos vestiram a jaqueta de couro e picaram mula na Harley Davidson. Outros foram comer yakisoba na praça de alimentação. Outros se masturbavam escondidos depois de ver a moto mais linda e gostosa de todas.

Mas a atração principal, pasmem, não era os veteranos do rock, e sim... Os ídolos de reality show transmitido pelo People and Arts!

Desculpe minha ignorância, mas até ontem eu não sabia o que era American Chopper. Não sabia muito menos o que era Orange County Choppers. OCC, menos ainda. A sigla soaria para mim como nome de alguma doença nova relacionada a radicais livres ou ao efeito destrutivo dos vídeos do YouTube.

Acontece que o trio do OCC (que, na tevê, exibem o talento para criar motos personalizadas em uma oficina à Big Brother) é grande no Brasil. Ou pelo menos entre os motociclistas. Ou com o Lula, que comeu churrasco com os gringos (veja foto acima). Ou entre as patricinhas de ocasião. Estavam todos eufóricos quando Paul Junior, Paul Senior e Mikey subiram no palco principal. Depois do Led Zeppelin cover, antes do Steppenwolf.

Eles foram apresentados pelo Supla. Eles traziam uma moto inspirada na arquitetura de Niemeyer. Eles não tinham nada a dizer além de "hello, Brazil". Mas a platéia queria isso mesmo. Isso e frisbees autografados. Por sorte, eles trouxeram caixas de frisbees. Uns quinhentos. Todo mundo conseguiu sair do show, no Autódromo, com um frisbee na mão. Quando uma patricinha de ocasião passou perto de mim, quase não sobreviveu: foi atingida no rosto por um maldito frisbee. Eu mesmo quase levei um na testa.

Supla não cantou, o OCC acenou acompanhado de uma trilha sonora à NBA, à boxe em Las Vegas, à Rocky Balboa. O público delirou. Principalmente quando abriram a sessão de perguntas dos fãs. Um deles gritou: "Paul Junior, you have to fuck a brazilian woman right now!"

Ele só podia estar de brincadeira. As patricinhas de ocasião eram duas ou três. As outras mulheres que compareceram ao Autódromo tinham por volta de 65 anos, vestiam jaquetas pesadíssimas, eram bigodudas e muito bem casadas.

Objeto estranhíssimo, esse festival.

8 comentários:

Diego disse...

HAHHAHAHAHAH!

Tiago Superoito disse...

Tá rindo pq não era você que estava lá, né.

Felipe R. disse...

Um festival desses acontecendo e eu querendo ir no Tim Festival...

Tiago Superoito disse...

Não dá nem pra comparar as duas coisas, hehe.

Rodrigo disse...

Não dá pra comparar porque esse deve ser muito melhor.

Eu nunca fui em nenhum dos dois, mas só pelo seu comentário: BMFM >>>>>>> TIM

Tiago Superoito disse...

O festival é tão bom que nem vou escrever nada sobre o segundo dia. Deixa quieto.

Aline disse...

Cara passei por acaso mas adorei seu comentário...foi tudo isso e mais um pouco. Sei lá o que eu esperava...fui embora no sábado pela manhã, mas confesso que no meio da euforia até disputei um frisbee com um fã do trio!!!!

Tiago Superoito disse...

Haja empolgação, Aline, hehe. Eu, que quase fui atingido por um frisbee, não consegui chegar a tanto. E fui embora na madrugada mesmo.