3.9.07

It’s been a long time, long time



Um ianque de 21 anos metido a brincar com sons do leste europeu? Ainda hoje, há quem encare o primeiro álbum do Beirut (i.e., Zach Condon), Gulag Orkestar, como uma bela de uma armação embrulhada para consumo indie.

Não era. E o álbum novo do rapaz, The Flying Club Cup, está aí para provar que vocês (ou alguns de vocês) estavam errados.

Nada de conclusões precipitadas, já que é um daqueles discos para digerirmos muito, muito lentamente. Por enquanto, dá pra notar que o projeto de Condon é ainda mais complexo do que tudo o que o primeiro disco sugeria.

Hoje sabemos, por exemplo, que o menino-prodígio recorreu aos climões à filmes de Kusturica para compor uma espécie de trilha sonora para uma foto de duas moças e um carro na beira de uma estrada qualquer (que ilustra a belíssima arte da estréia). Primeiro a imagem, depois a canção.

Agora, o método é repetido. O disco novo, ode ao pop barroco, foi inspirado em clássica foto tirada em 1910, por Leon Gimpel, em um festival de balões em Paris. "Uma das imagens mais bizarras que já vi", Condon observou. Tá explicado.

Às vezes, as canções lembram Rufus Waniwright lá do primeiro disco. Outras soam simplesmente inclassificáveis. E, em comparação ao álbum anterior, elas ganham em volume, em sutilezas: Condon agora tem uma banda para tirar do papel as bizarrices que inventa, e isso também explica muita coisa.

No site novo do Beirut tem uma canção nova para baixar. Recomendo que vocês deixem a desconfiança de lado e corram até lá. Mas o bom mesmo é ouvir o disco todo, que conta uma historinha para ser degustada com queijo brie.

O álbum será lançado em outubro pela Ba Da Bing!

Ouça! A sunday smile, no site oficial

2 comentários:

daniel pilon disse...

como já tinha comentado contigo, esse ainda não me convenceu, hehe. e gostei menos desse que do primeiro.

do disco do devendra , gostei bastante, mesmo. e a música com o amarante é uma beleza.

Tiago Superoito disse...

O primeiro tem umas coisas que acho muito confusas. Mas gosto também. Principalmente de "Postcards from Italy", que lembra muito o clima desse segundo disco.